‘Evidências digitais têm papel central’, diz delegada sobre caso Nicolly Pogere
Áudios inéditos, análise tecnológica e operação contra crimes virtuais intensificam investigação realizada pela Polícia Civil e levantam suspeita de novos envolvidos no assassinato da jovem esquartejada e achada em Hortolândia ano passado
As evidências digitais passaram a ocupar papel central na
investigação sobre o assassinato da adolescente Nicolly Fernanda Pogere, de 15
anos, em Hortolândia. Segundo a delegada Lis Salvariego, a análise detalhada de
áudios, mensagens e registros tecnológicos pode revelar inconsistências nos
depoimentos e indicar a participação de novos envolvidos. “Estamos analisando
cada detalhe para identificar possíveis contradições e esclarecer a dinâmica do
crime”, afirmou.
Nesta semana, a Polícia Civil de Hortolândia instaurou um novo inquérito para aprofundar as investigações sobre o assassinato ocorrido em julho de 2025. A reabertura de frentes investigativas ocorre após o surgimento de novas provas, especialmente áudios que podem alterar a compreensão da dinâmica da morte da jovem.
O caso, já considerado de extrema violência, ganha novos contornos com a análise de conteúdos digitais feita pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad). Coordenado pela delegada Lis Salvariego, o núcleo atua no cruzamento de dados tecnológicos, mensagens e registros que possam esclarecer a participação de envolvidos.
Segundo a polícia, os áudios recentemente entregues levantam a hipótese de que uma terceira pessoa possa ter participado diretamente do esquartejamento da vítima. “As evidências digitais têm papel central nesta fase da investigação”, afirmou a delegada.
As gravações incluem supostas conversas entre familiares dos investigados, o que coloca em dúvida versões apresentadas anteriormente. Inicialmente, dois adolescentes confessaram participação no crime: o namorado da vítima, de 17 anos, e uma jovem de 14 anos, que também mantinha relacionamento com ele.
Em depoimento, ambos alegaram que Nicolly teria iniciado uma agressão com faca, versão que foi posteriormente contestada pelos investigadores. Para a Polícia Civil, há indícios de que a adolescente foi atraída até o local onde o crime ocorreu, reforçando a suspeita de premeditação.
A hipótese de feminicídio permanece como uma das principais linhas investigativas diante dos elementos reunidos. “O nosso objetivo é reconstruir com precisão a dinâmica dos fatos. A tecnologia nos permite acessar elementos que muitas vezes não aparecem nos depoimentos formais”, disse a delegada.
Além dos áudios, a polícia analisa mensagens, registros de chamadas e movimentações digitais dos suspeitos. Esse material tem sido fundamental para mapear conexões e identificar possíveis contradições.
OPERAÇÃO INTERESTADUAL
Uma operação interestadual foi deflagrada recentemente para
combater ataques virtuais contra familiares da vítima. Cinco pessoas foram
alvos da ação, sendo um adulto e quatro menores de idade suspeitos de ameaças e
perseguição online.
De acordo com a investigação, os ataques incluíam ameaças diárias, prática de stalking e disseminação de imagens falsas da adolescente. “Não tem nenhuma relação com a família, é o ódio pelo ódio, é a violência pela violência. Não há justificativa para esse tipo de conduta”, afirmou a delegada.
A mãe da vítima, Priscila Magrin, procurou a polícia após receber ameaças de desconhecidos pela internet. Segundo a delegada, a família enfrenta uma situação de revitimização constante devido aos ataques virtuais. As investigações apontam que os suspeitos atuavam em servidores fechados na plataforma Discord, utilizados para incitar práticas criminosas.
“Acreditamos que houve planejamento online. Esses ambientes
são usados para incentivar e até transmitir crimes”, explicou a delegada. “O
crime digital não tem fronteiras. Pode levar mais tempo, mas conseguimos
identificar os autores”, ressaltou a delegada.

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