Saúde
Apesar dos cancelamentos relatados, o Hospital Estadual apresentou números

Desfalque na obstetrícia já provoca cancelamentos de pré-natal no HES

Hospital Estadual Sumaré perdeu 18 profissionais da especialidade durante setembro; unidade responde que quadro foi recomposto, mas há gestantes que relataram haver interrupções durante o acompanhamento de gravidez de alto risco

A saída de 18 médicos da equipe de ginecologia e obstetrícia do Hospital Estadual Sumaré (HES) afetou a rotina de atendimento de gestantes acompanhadas pela unidade em setembro. Mulheres com gravidez de alto risco relatam que consultas de pré-natal foram canceladas durante o período em que o hospital passava pela recomposição do quadro profissional.

O HES confirmou os desligamentos e informou que as vagas foram preenchidas ao longo do mês. Atualmente, 45 médicos integram o serviço de ginecologia e obstetrícia. O hospital reforça a equipe e reorganiza os horários de atendimento, com prioridade para pacientes que necessitam de acompanhamento pré-natal.

A situação atingiu, entre outras pacientes, uma moradora de Hortolândia. Grávida de gêmeos e em tratamento contra diabetes gestacional, ela precisa de acompanhamento especializado devido às características da gestação.

Ela começou a fazer o pré-natal no Hospital Estadual em maio, depois de ser encaminhada pela rede municipal. Nos primeiros meses, os retornos ocorreram dentro dos intervalos determinados pela equipe médica. Com o avanço da gravidez, porém, a orientação passou a ser de acompanhamento mais frequente.

Foi justamente nesse período que começaram os problemas. Três consultas previstas para setembro foram canceladas, algumas delas na véspera do atendimento. Apesar dos cancelamentos relatados, o Hospital Estadual apresentou números sobre a atividade da especialidade em 2026.

Entre janeiro e agosto, foram realizadas 1.821 consultas ambulatoriais de ginecologia e obstetrícia. Desse total, 1.136 correspondem especificamente ao acompanhamento pré-natal. No mesmo intervalo, o hospital contabilizou 3.621 atendimentos de urgência, além de 1.430 partos e 668 procedimentos cirúrgicos relacionados à área.

PROBLEMAS

Os problemas no acompanhamento obstétrico surgem no mesmo período em que outros atendimentos realizados pelo HES passaram a ser questionados por pacientes.

Uma mulher de 40 anos relatou recentemente que continuou grávida após ter sido submetida a uma curetagem no hospital. Já na fase avançada da gestação, ela também afirmou enfrentar dificuldades no acompanhamento ambulatorial, com troca de profissionais e cancelamento de consultas.

Outro caso semelhante havia sido registrado anteriormente neste ano, envolvendo uma paciente que descobriu que a gestação permanecia em evolução depois de ter recebido diagnóstico de aborto espontâneo.


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