SINDSMOR pede apuração de quebra de decoro de vereador por incitação a assédio eleitoral em vídeo polêmico
Sindicato protocola denúncia na Câmara de Monte Mor, no Ministério Público e no Ministério Público do Trabalho após Josuel da Conceição incentivar demissão de eleitores de Lula; diretor Adelício Paranhos diz que fala foi antidemocrática
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Monte Mor
(SINDSMOR) protocolou uma nota de repúdio na Câmara Municipal e pedido de
apuração de possível quebra de decoro parlamentar do vereador Josuel da
Conceição (PSD), após ele incentivar empresários a demitirem trabalhadores que
votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A entidade também apresentou denúncias ao Ministério Público
(MP) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando providências diante
de uma possível incitação ao assédio eleitoral. O diretor do sindicato,
Adelício Paranhos, classificou a postura do parlamentar como antidemocrática e
cobrou a responsabilização pelas declarações.
A manifestação do SINDSMOR ocorre após a repercussão de um
vídeo publicado por Josuel nas redes sociais, no qual o vereador defendeu que
empresários, comerciantes e industriais dispensassem funcionários que apoiaram
Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo
(25).
Na gravação, o parlamentar afirmou que empregadores deveriam
mandar embora trabalhadores identificados com o PT. Em determinado momento,
declarou: “Rua para quem votou no Lula. Rua e pronto”. O vídeo foi
posteriormente retirado das redes sociais.
Para Adelício Paranhos, a postura do vereador contraria os
princípios democráticos e desrespeita a liberdade política dos trabalhadores. O
dirigente sindical criticou o incentivo às demissões por motivações eleitorais
e defendeu que nenhum cidadão pode ser ameaçado de perder o emprego por suas
convicções políticas ou pelo candidato escolhido nas urnas.
Com os protocolos apresentados à Câmara Municipal, ao MP e
ao MPT, o sindicato busca a apuração da conduta do parlamentar em diferentes
esferas. No Legislativo, a entidade pede que seja analisada a possível quebra
de decoro parlamentar. Já as denúncias encaminhadas aos órgãos ministeriais
solicitam a avaliação das declarações e de eventuais consequências jurídicas
relacionadas ao incentivo à discriminação política no ambiente de trabalho.
A medida também pretende garantir que trabalhadores não
sejam submetidos a ameaças, constrangimentos ou retaliações em razão de suas
escolhas eleitorais. Para o SINDSMOR, manifestações dessa natureza,
especialmente quando partem de representantes eleitos, precisam ser apuradas
pelas autoridades.
O episódio ganhou repercussão em Monte Mor, cidade onde Lula
recebeu 16.406 votos no segundo turno, equivalentes a 45,26% dos votos válidos.
O presidente reeleito ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que conquistou
19.844 votos, ou 54,74%. Entre seis municípios da região, Monte Mor registrou o
segundo maior percentual de votação em Lula, atrás apenas de Hortolândia, onde
o petista alcançou 45,38%.
A Câmara Municipal de Monte Mor já havia divulgado uma nota
oficial informando que não concorda com o conteúdo publicado pelo vereador. O
Legislativo esclareceu que as declarações individuais de Josuel não representam
a posição institucional da Casa, que reafirmou seu compromisso com a legalidade
e os princípios democráticos.
Na mesma manifestação, a Câmara informou que uma eventual apuração da conduta do parlamentar poderá ocorrer mediante provocação formal, respeitando os procedimentos previstos no Regimento Interno.
VEREADOR PEDIU DESCULPAS
Após a repercussão negativa, Josuel divulgou uma nova
gravação, com mais de seis minutos, na qual reconheceu ter errado ao incentivar
a demissão de trabalhadores.
O parlamentar afirmou que fez as declarações no calor da
emoção, após o resultado das eleições, e pediu perdão às pessoas que se
sentiram ofendidas. “Eu errei, eu reconheço a minha falha, eu reconheço o meu
erro, não deveria ter falado aquilo”, declarou.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) alerta que demitir,
perseguir ou constranger funcionários por suas escolhas políticas pode
caracterizar discriminação e assédio eleitoral.
O órgão esclarece que essas práticas podem ser investigadas
mesmo após o encerramento das eleições. A atuação do MPT também pode alcançar
terceiros que incentivem dispensas ou retaliações motivadas por posicionamentos
políticos, conforme as circunstâncias de cada caso.
A Lei Federal nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias na manutenção das relações de trabalho e prevê medidas de reparação aos trabalhadores prejudicados.
MINISTÉRIO PÚBLICO ENCAMINHA CASO DE VEREADOR DE MONTE MOR
AO MPT E COBRA RESPOSTAS DA CÂMARA
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) determinou o
encaminhamento do caso envolvendo o vereador de Monte Mor Josuel da Conceição
(PSD), que incentivou empresários a demitirem funcionários petistas, ao
Ministério Público do Trabalho (MPT) e à 1ª Promotoria de Justiça de Monte Mor.
A decisão também estabelece que a Câmara Municipal seja comunicada oficialmente
sobre os fatos e apresente, no prazo de 15 dias, informações sobre eventuais
providências adotadas, inclusive em relação à possível quebra de decoro
parlamentar.
O despacho foi assinado pelo promotor de Justiça Pedro José
Rocha e Silva, da 358ª Zona Eleitoral, instaurado para apurar a manifestação
atribuída ao parlamentar. O documento considera a repercussão pública do vídeo
divulgado nas redes sociais, no qual Josuel afirmou que empresários deveriam
mandar embora trabalhadores identificados com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Na decisão, o promotor destaca que, embora os fatos não se
enquadrem, em uma análise inicial, na esfera eleitoral, a declaração pode
apresentar consequências em diferentes áreas do Direito, especialmente nas
relações de trabalho e no exercício do mandato parlamentar.
Por esse motivo, o Ministério Público Eleitoral determinou o
envio dos autos à 1ª Promotoria de Justiça de Monte Mor, responsável por dar
prosseguimento à análise dentro de suas atribuições. Também ordenou o
encaminhamento de cópia integral do procedimento ao Ministério Público do
Trabalho, para conhecimento e eventual adoção das medidas cabíveis.
Um dos principais pontos do despacho envolve a atuação da
Câmara Municipal de Monte Mor. O Ministério Público determinou que o
Legislativo seja formalmente comunicado sobre o conteúdo da manifestação e
avalie, dentro de sua competência, as providências que considerar pertinentes.
A determinação menciona expressamente a possibilidade de
análise dos fatos sob a perspectiva do decoro parlamentar, diante da conduta
atribuída ao vereador.
O despacho também aborda eventuais repercussões criminais da
manifestação. Segundo o Ministério Público, pessoas que se considerem
perseguidas, ameaçadas, constrangidas ou prejudicadas por condutas relacionadas
à declaração do vereador poderão procurar os órgãos competentes para apresentar
representação.

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