Política
Moisés exercia a função de chefe de Gabinete no momento do episódio em Nova Odessa

Justiça abre ação contra ex-secretário de Nova Odessa por suposta homofobia

Judiciário aceita denúncia da Promotoria e torna réu ex-secretário-adjunto de Nova Odessa por possível manifestação discriminatória contra diretor-geral da Câmara; caso tramita na 1ª Vara Judicial e apura episódio registrado em 2025

O pastor Moisés de Jesus Lima, que ocupou o cargo de secretário-adjunto de Governo de Nova Odessa, tornou-se réu em processo criminal que apura uma suposta manifestação discriminatória contra o diretor-geral da Câmara Municipal, Lucas Camargo Donato. A denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça da cidade.

O processo tramita na 1ª Vara Judicial de Nova Odessa e tem como responsável a juíza Melina Alonso Scherma Locatelli. Ao autorizar o prosseguimento da ação, a magistrada considerou que a acusação reúne elementos suficientes para que o caso seja analisado judicialmente.

A juíza registrou que existem provas sobre a ocorrência do fato investigado e indícios relacionados à autoria. Também apontou que a denúncia apresentada descreve as circunstâncias atribuídas ao acusado.

A partir do recebimento da acusação, Moisés passa a responder formalmente ao processo. A medida não representa uma condenação antecipada. Caberá à Justiça avaliar, ao longo da instrução, as provas produzidas pelo Ministério Público e os argumentos apresentados pela defesa.

A denúncia foi oferecida pelo promotor Carlos Alberto Ruiz Nardy e recupera um episódio registrado em 17 de janeiro de 2025, durante um encontro realizado no gabinete do prefeito.

Conforme a narrativa apresentada pela Promotoria, a reunião contava com a presença de autoridades e lideranças religiosas. Durante o encontro, Moisés teria feito uma oração e, na sequência, mencionado a condução da Câmara Municipal.

De acordo com o MP, ele teria afirmado que seria necessário orar pelo município porque o Legislativo era dirigido por um “homossexual assumido”, numa referência a Lucas Camargo. A acusação também reúne relatos de testemunhas que apontam que o então integrante do governo teria demonstrado descontentamento com a orientação sexual do diretor-geral.

Outro ponto usado pelo Ministério Público é uma conversa posterior entre Moisés e Lucas pelo WhatsApp. Segundo a denúncia, o pastor teria pedido perdão pelo episódio e admitido que havia errado, embora afirmasse que não pretendia atingir pessoalmente o diretor.

A Promotoria também citou declarações prestadas por Moisés durante uma CEI aberta pela Câmara para apurar o caso. Conforme a acusação, ele teria confirmado que falou sobre a necessidade de oração em razão de a direção do Legislativo estar sob responsabilidade de uma pessoa homossexual.

Com esse entendimento, Moisés foi denunciado com base na lei que prevê punições para crimes relacionados a preconceito e discriminação. O MP também solicitou que, caso haja condenação, seja determinado o pagamento de pelo menos R$ 10 mil a Lucas Camargo como indenização por danos morais.

O ex-secretário tem negado para a imprensa ter pronunciado a frase da maneira descrita na denúncia. Ele sustenta ainda que não existe gravação da reunião que comprove a versão apresentada contra ele. Esses argumentos deverão ser apresentados e analisados durante o andamento do processo, juntamente com os depoimentos e demais elementos reunidos pela acusação.

INVESTIGAÇÃO NO LEGISLATIVO

Antes de chegar à esfera criminal, o caso já havia provocado reação dentro da Câmara de Nova Odessa. Os vereadores André Faganello, Elvis Pelé e Paulo Porto apresentaram pedido para instalação de uma Comissão Especial de Inquérito com o objetivo de apurar a conduta atribuída ao então integrante da Prefeitura.

O requerimento mencionava possíveis violações às normas previstas no Estatuto dos Servidores Públicos Municipais e defendia uma investigação própria do Legislativo. À época, os parlamentares sustentaram que a situação exigia esclarecimentos diante da função pública exercida por Moisés.

O vereador André Faganello afirmou que a Câmara não poderia deixar o episódio sem apuração e defendeu a abertura da CEI para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. O mesmo caso também resultou em uma moção de repúdio apresentada por Paulo Porto. O documento foi aprovado pelo plenário com sete votos favoráveis e uma ausência.

Segundo as informações apresentadas durante a investigação legislativa, Moisés exercia a função de chefe de Gabinete no momento do episódio. Ainda no dia 17 de janeiro de 2025, ele passou a ocupar o cargo de secretário-adjunto de Governo.

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