Política
Empresa da merenda, alvo de CPI, tinha contrato de R$ 34,9 milhões e atrasou salário de funcionários

Investigada pela CPI da Merenda em Sumaré já acumulou denúncias por atraso de salários

Alvo da Comissão de Inquérito na Câmara, contratada emergencialmente pela gestão Luiz Dalben manteve serviços por R$ 34,9 milhões e foi denunciada por funcionárias devido a atrasos no pagamento de salários e benefícios na cidade

A Omega Alimentação e Serviços Especializados S/A, ligada ao Grupo Nutriplus e alvo da recém-protocolada CPI da Merenda em Sumaré, já havia sido alvo de denúncias por atrasos recorrentes no pagamento de salários e benefícios de funcionárias responsáveis pela preparação e distribuição da alimentação escolar. 

O caso ocorreu em dezembro de 2024 e foi revelado pelo Tribuna Liberal. Trabalhadoras relataram dificuldades para arcar com despesas básicas em razão dos atrasos, enquanto a empresa mantinha um contrato de R$ 34,9 milhões com a Prefeitura de Sumaré.

Nesta semana, 12 vereadores protocolaram a criação da CPI da Merenda. A comissão pretende investigar possíveis irregularidades envolvendo contratos da alimentação escolar firmados durante a gestão do ex-prefeito Luiz Dalben (PSD), incluindo a revogação do Pregão Eletrônico nº 19/2024 e a posterior contratação emergencial da Omega Alimentação e Serviços Especializados.

Em dezembro de 2024, reportagem do Tribuna Liberal mostrou que dezenas de funcionárias da empresa reclamaram de atrasos frequentes nos salários e no pagamento de benefícios, como vale-alimentação. As trabalhadoras afirmaram que a situação comprometeu o orçamento familiar e dificultou o pagamento de contas como água, luz e telefone. Também criticaram a utilização de contratos intermitentes, que, segundo elas, traziam insegurança financeira.

Na época, a empresa era responsável pelos serviços de merenda escolar na rede municipal, incluindo fornecimento de alimentos, logística e manutenção dos equipamentos utilizados nas unidades de ensino. O contrato, então válido por 12 meses, previa repasse mensal de aproximadamente R$ 2,9 milhões e tinha como meta o fornecimento de mais de 75 mil refeições mensais. Os valores pagos variavam conforme o cardápio oferecido, com refeições entre R$ 1,89 e R$ 5,70.

A Prefeitura de Sumaré havia informado na época, que realizava os pagamentos à fornecedora mensalmente e dentro dos prazos previstos. Procurada na ocasião para comentar as denúncias feitas pelas funcionárias, a empresa não se manifestou.

O QUE A CPI PRETENDE INVESTIGAR

Segundo o requerimento protocolado na Câmara Municipal, os vereadores querem apurar se houve justificativa legal para a revogação do Pregão Eletrônico nº 19/2024 e se a contratação emergencial posterior observou os princípios da administração pública.

Também estão entre os pontos que deverão ser investigados os critérios que levaram à escolha da Omega Alimentação e Serviços Especializados, eventual favorecimento ou restrição à concorrência, a compatibilidade dos valores contratados com os preços praticados no mercado, além da qualidade e da segurança nutricional da alimentação servida aos alunos.

A CPI prevê ainda a apuração do cumprimento das obrigações contratuais pelas empresas envolvidas e a existência de possíveis vínculos societários, econômicos ou financeiros entre agentes públicos e as contratadas.

Outro tema incluído na investigação envolve supostas transferências imobiliárias relacionadas a 40 terrenos citados em denúncias, para verificar eventual conexão entre essas operações e os contratos emergenciais da merenda escolar. Ao final dos trabalhos, a comissão poderá apontar responsabilidades administrativas, civis e eventualmente penais.

PREFEITURA VAI COLABORAR

A nova gestão da Prefeitura de Sumaré informou que recebeu com tranquilidade a criação da CPI e que irá colaborar com os trabalhos da comissão, colocando à disposição todos os documentos e informações que forem formalmente solicitados.

Segundo a administração municipal, o trabalho de fiscalização exercido pelo Legislativo faz parte dos mecanismos de transparência e controle dos atos públicos. O governo destacou ainda que a correta aplicação dos recursos públicos é um dos pilares da gestão e afirmou que a investigação será uma oportunidade para que os fatos sejam analisados de forma técnica, imparcial e responsável.

DALBEN SE MANIFESTA

O ex-prefeito Luiz Dalben afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito é um instrumento jurídico legítimo, que durante seu mandato sempre permitiu plena atuação dos secretários e não interferiu administrativamente nos trabalhos.

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