Política
Administração municipal destaca que medida poderá reduzir o volume de processos judiciais

Hortolândia pretende criar Câmara de Mediação para reduzir ações judiciais

Projeto de Lei enviado à Câmara pelo prefeito Zezé Gomes prevê estrutura para mediar conflitos da Prefeitura Municipal com contribuintes, servidores, empresas e moradores antes que disputas avancem nas esferas do Poder Judiciário

A Prefeitura de Hortolândia encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que cria a Câmara de Mediação e Consensualidade Administrativa (CMCA), estrutura que terá como principal função buscar acordos em conflitos envolvendo o poder público municipal. A proposta está no Projeto de Lei nº 155/2026 e foi enviada pelo prefeito Zezé Gomes (Republicanos).

Pelo texto, a CMCA ficará vinculada à Procuradoria-Geral do Município, dentro da Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos. A ideia é permitir que determinadas controvérsias sejam resolvidas por negociação, mediação ou conciliação, evitando que todos os casos terminem necessariamente em processos judiciais.

A nova Câmara poderá atuar em conflitos entre órgãos e entidades da própria administração, contratos administrativos, cobrança de créditos tributários e não tributários, direitos de servidores municipais, responsabilidade civil do município e questões ambientais, urbanísticas e de vizinhança.

O alcance também inclui demandas relacionadas a serviços públicos essenciais, como vagas em creches e escolas, fornecimento de medicamentos e tratamentos de saúde. Nesses casos, o projeto prevê a busca de soluções que respeitem as políticas públicas já estabelecidas e garantam tratamento igualitário aos cidadãos.

ACORDOS

A proposta permite que a tentativa de acordo ocorra tanto em questões ainda não levadas à Justiça quanto em casos já judicializados. Entre os instrumentos previstos estão resolução administrativa de conflitos entre secretarias e órgãos municipais, recomposição do equilíbrio econômico-financeiro de contratos, mediação de conflitos funcionais com servidores e conciliação em casos de responsabilidade civil.

O projeto também prevê a utilização de termos de ajustamento de conduta para questões ambientais e urbanísticas e procedimentos específicos de conciliação relacionados a creches, escolas, medicamentos e tratamentos de saúde.

A participação nas negociações será voluntária. Caso seja alcançado um acordo, será elaborado um Termo de Autocomposição com as condições, obrigações, prazos e valores envolvidos. Nos casos ainda não judicializados, o acordo homologado poderá constituir título executivo extrajudicial, o que permite a cobrança formal das obrigações assumidas caso alguma das partes deixe de cumprir o combinado.

ESTRUTURA FICARÁ NA PROCURADORIA 

A CMCA será composta por um coordenador-geral, procuradores municipais, um servidor efetivo que poderá atuar como conciliador e equipes de apoio administrativo e técnico.

A coordenação ficará a cargo do procurador-geral do município. Entre suas atribuições estarão analisar os pedidos de abertura de procedimentos, designar procuradores, homologar acordos dentro dos limites previstos em lei e determinar mutirões de conciliação e mediação.

A proposta estabelece restrições para a participação de servidores efetivos em matérias com conteúdo financeiro, patrimonial ou econômico. Nessas situações, a condução deverá ficar com procuradores municipais.

O organograma apresentado pelo Executivo inclui a nova Divisão da Câmara de Mediação e Consensualidade Administrativa dentro da Procuradoria-Geral.

CUSTO ZERO

Na justificativa enviada aos vereadores, a Prefeitura afirma que a criação da CMCA não provocará aumento de despesas para os cofres públicos. Segundo o Executivo, a estrutura será formada com servidores já pertencentes ao quadro municipal, por meio de remanejamento e aproveitamento de pessoal.

O projeto também proíbe o pagamento de gratificação, prêmio ou qualquer vantagem remuneratória aos servidores pela atuação na Câmara. A administração argumenta que a medida poderá reduzir o volume de processos judiciais, acelerar a solução de conflitos e melhorar a cobrança de créditos municipais.

A CMCA terá ainda papel importante na cobrança e negociação da dívida ativa de Hortolândia. A estrutura poderá realizar cobrança extrajudicial, parcelamentos, notificações e outros procedimentos antes do ajuizamento de execuções fiscais.

O mesmo projeto estabelece descontos para regularização de débitos. Até 31 de março de 2027, a proposta prevê redução de até 100% de multas e juros, dependendo da forma de pagamento.

No pagamento à vista, o desconto poderá chegar a 100% sobre multa e juros. Em até seis parcelas, serão 90% de desconto na multa e 80% nos juros. Em até 12 vezes, 70% na multa e 60% nos juros. Para pagamento em até 24 parcelas, a redução prevista é de 50% e 40%, respectivamente.

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