Política
Procedimento que apura declarações de Josuel da Conceição deverá ser concluído em até 90 dias

Comissão vai investigar vereador de Monte Mor por fala sobre demissão de eleitores do presidente Lula (PT)

Denúncia contra Josuel da Conceição (PSD) foi aceita por unanimidade pela Câmara e será analisada por comissão formada por três vereadores; investigação por possível quebra de decoro pode resultar até na cassação do mandato

A Câmara Municipal de Monte Mor abriu uma CP (Comissão Processante) para investigar a conduta do vereador Josuel da Conceição (PSD), após a repercussão de declarações nas quais defendeu que empresários demitissem trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A denúncia foi recebida por unanimidade nesta semana, com a presença de manifestantes contrários às declarações do parlamentar. O procedimento vai apurar uma possível quebra de decoro parlamentar e poderá resultar em penalidades, incluindo a cassação do mandato, caso sejam comprovadas irregularidades e cumpridas as exigências legais.

A comissão foi definida por sorteio e será presidida pelo vereador Pavão da Academia (PDT). A vereadora Camilla Hellen (Republicanos) ficará responsável pela relatoria, enquanto Milziane Menezes (MDB) será a terceira integrante do grupo. A distribuição das funções ocorreu após uma reunião entre os parlamentares sorteados.

A investigação terá como base a Denúncia nº 2/2026, apresentada por um cidadão eleitor, que questiona a compatibilidade das manifestações de Josuel com os deveres de respeito, responsabilidade institucional e decoro exigidos no exercício do mandato.

O documento menciona um vídeo divulgado nas redes sociais em que o vereador incentivou empregadores a dispensarem funcionários em razão de suas escolhas políticas. Também foram anexadas capturas de tela de mensagens semelhantes publicadas no grupo denominado “Direita Monte Mor Unidos”.

A repercussão levou o parlamentar a retirar a publicação e divulgar uma gravação de retratação, na qual reconheceu o erro e pediu desculpas pelas declarações. A Câmara também havia divulgado nota oficial repudiando o conteúdo das manifestações e esclarecendo que elas não representam o posicionamento institucional do Legislativo.

Com a abertura do procedimento, a Comissão Processante deverá seguir as regras estabelecidas pelo Decreto-Lei Federal nº 201/1967, que disciplina a apuração de infrações político-administrativas.

Conforme as normas, a comissão terá cinco dias para notificar o vereador denunciado. Após receber a notificação, Josuel terá dez dias para apresentar sua defesa por escrito, podendo contestar as acusações e apresentar os elementos que considerar necessários.

Na sequência, os integrantes da comissão deverão avaliar a documentação e decidir se recomendam o arquivamento ou a continuidade da denúncia. Caso seja sugerido o arquivamento, a decisão precisará passar pela apreciação do plenário. Se o processo avançar, poderão ser realizadas novas diligências, análises de documentos e outras medidas necessárias para esclarecer os fatos.

O procedimento deverá ser concluído em até 90 dias, contados da notificação do denunciado. Ao final, caberá ao plenário da Câmara decidir sobre eventual cassação ou absolvição do parlamentar. A abertura da Comissão Processante não representa uma condenação antecipada. O vereador terá direito ao contraditório e à ampla defesa durante a apuração.

VEREADORES CRITICAM

A sessão que aprovou o recebimento da denúncia também foi marcada por manifestações de vereadores contrários ao conteúdo divulgado por Josuel. 

O presidente do Legislativo, Beto Carvalho (PP), se pronunciou sobre o episódio. Ele destacou que a manifestação foi uma atitude individual do vereador e não expressa os princípios defendidos pela instituição. Durante sua fala, Beto pediu desculpas pelo ocorrido em nome da Câmara e ressaltou a importância do respeito às diferenças políticas e da convivência democrática.

O vereador Professor Adriel (PDT) criticou as declarações e afirmou que elas provocaram constrangimento ao Legislativo. Segundo ele, a Câmara recebeu aproximadamente 20 manifestações relacionadas ao caso, entre críticas e denúncias. Adriel também levantou questionamentos sobre possíveis consequências legais decorrentes de manifestações que incentivem a discriminação de trabalhadores por suas posições políticas.

Durante a sessão, o presidente Beto Carvalho informou que a Câmara recebeu outras manifestações sobre o episódio, mas esclareceu que parte dos documentos não atendia aos requisitos formais necessários para ser considerada uma denúncia. Segundo ele, essas manifestações também serão encaminhadas à Comissão Processante para conhecimento e análise durante os trabalhos.

A votação que autorizou a abertura do procedimento contou com a participação da suplente Dani Lima (PSD), que assumiu a cadeira para votar a denúncia. O caso passa agora à fase de apuração, na qual os vereadores integrantes da comissão deverão examinar as informações apresentadas, ouvir a defesa do denunciado e reunir os elementos necessários para a elaboração de suas conclusões.

A decisão final sobre a permanência de Josuel da Conceição no cargo dependerá do andamento do processo e de uma nova deliberação do plenário da Câmara Municipal de Monte Mor.

 


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