Secretário-adjunto de N. Odessa tem endereço vistoriado em operação contra lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Um endereço localizado em Campinas e vinculado ao secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Promoção Social de Nova Odessa, Mateus Rosa Tognella, foi um dos focos de policiais civis em uma operação que apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com ramificações em prefeituras municipais no Estado de São Paulo.
Além de integrar o governo municipal de Nova Odessa,
Tognella possui trajetória em cargos comissionados na Prefeitura de Campinas,
durante a gestão do ex-prefeito Jonas Donizette (PSB) e do atual prefeito Dario
Saadi (Republicanos). Campinas, por sua vez, foi alvo da operação nesta
segunda-feira (27).
Tognella ainda preside o diretório do PSB em Nova Odessa e
lidera as ações da legenda há anos na cidade. A Prefeitura de Campinas
argumentou que a operação tem relação com a administração passada.
Nesta segunda, seis integrantes de uma organização criminosa
que se infiltraram em prefeituras para lavar dinheiro obtido principalmente com
o tráfico de drogas foram presos pela Operação Contaminatio, deflagrada pela
Polícia Civil de São Paulo.
Além das prisões, a ação cumpriu 22 mandados de busca e
apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em
bens e ativos ligados aos investigados.
As diligências, conduzidas pela Delegacia de Investigações
sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, ocorreram contra investigados
que residem nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque,
Campinas, Ribeirão Preto e Santos, além de Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO),
Brasília (DF) e Londrina (PR).
As investigações são um desdobramento da Operação Decurio,
realizada em agosto de 2024, quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos
que revelaram um complexo sistema de movimentação financeira ilícita.
A partir da análise desse material e de dados de
inteligência financeira, os policiais identificaram não apenas a atuação no
tráfico de drogas, mas também uma estrutura organizada para lavar os recursos
provenientes de diversas atividades criminosas.
Segundo a apuração, a quadrilha teria avançado na criação de
um “núcleo político”, com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar sua
atuação. Entre as estratégias, estava a tentativa de influenciar eleições, com
apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.
Também foi identificado o envolvimento de pessoas ligadas a
administrações municipais, incluindo ao menos uma servidora comissionada que
mantinha relação com integrante de alto escalão da organização criminosa.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a
tentativa de inserção de uma fintech criada por integrantes do bando para
operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de
receitas municipais. A estrutura permitiria, na prática, a “limpeza” de
dinheiro oriundo do crime dentro de operações oficiais, utilizando o fluxo
financeiro público.
Ao todo, foram identificadas ao menos seis pessoas nas
regiões da Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. Apesar
disso, segundo a polícia, nenhum dos alvos possui foro por prerrogativa de
função ou exerce mandato eletivo.
“O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava
não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas
do poder público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade
aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela
investigação.
A reportagem aguarda retorno da Prefeitura de Nova Odessa.

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