Polícia
Adenir Batista dos Santos Júnior foi executado em 2023 a cerca de 50 metros da delegacia

Justiça manda acusados a júri pelo homicídio de empreiteiro a poucos metros de delegacia em Hortolândia

Decisão analisa dois fatos distintos, o primeiro ocorreu em 28 de julho de 2023, que trata de uma tentativa de homicídio e o segundo diz respeito ao homicídio consumado de 16 de novembro de 2023; crimes são atribuídos, em tese, à ‘Família FF’

A Justiça de Hortolândia redefiniu os rumos do processo que apura dois episódios violentos ocorridos em 2023 e que, segundo os autos, teriam ligação com a organização criminosa conhecida como “Família FF”, como a morte de Adenir Batista dos Santos Júnior, o Juninho, alvo de vários tiros ao entorno da Delegacia de Polícia da cidade. O juiz da 1ª Vara Criminal, André Forato Anhê, decidiu por levar parte dos acusados para julgamento pelo Tribunal do Júri e reavaliou medidas cautelares impostas na ação penal.

A decisão analisa dois fatos distintos. O primeiro ocorreu em 28 de julho de 2023 e trata de uma tentativa de homicídio. O segundo diz respeito ao homicídio consumado de 16 de novembro de 2023. Na fase de pronúncia, o magistrado não decide se os acusados são culpados ou inocentes, mas apenas se há indícios suficientes para que o caso seja submetido a júri popular.

No episódio de julho, apenas um dos denunciados foi pronunciado e deverá ir a júri popular por tentativa de homicídio qualificado. Em relação aos demais citados nesse mesmo fato, a Justiça entendeu que a instrução não reuniu elementos para sustentar a submissão deles ao julgamento popular. Já no homicídio consumado de novembro, quatro acusados seguirão para o Tribunal do Júri.

Um dos trechos mais relevantes da decisão é o que afasta a qualificadora ligada à hipótese de homicídio praticado para assegurar a execução, ocultação ou impunidade de outro crime. O juiz afirmou que, embora conste nos autos que a vítima esteve na delegacia na manhã dos fatos, não foram identificados, nesta etapa, elementos objetivos mínimos que sustentassem a tese de que o crime teria sido cometido com essa finalidade específica. Para o magistrado, referências genéricas a uma possível “queima de arquivo” não bastam sem apoio concreto no acervo probatório.

Por outro lado, foi mantida a qualificadora referente ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Na decisão, o juiz aponta que a forma de abordagem narrada nos autos é compatível, em tese, com uma ação rápida e inesperada, com emprego de veículo, aproximação súbita e participação de mais de um agente, circunstâncias que teriam reduzido a capacidade de reação da vítima. Por isso, esse ponto deverá ser analisado pelo Tribunal do Júri.

No campo das medidas cautelares, a decisão revogou a prisão preventiva de um dos acusados. Ao mesmo tempo, a Justiça manteve a liberdade de outro acusado que já respondia solto ao processo.

Em sentido oposto, quatro acusados permanecerão presos preventivamente. O juiz mencionou, em tese, contexto de atuação coordenada de organização criminosa, uso de violência, logística com veículo e até elementos ligados à ocultação de provas. As defesas devem recorrer.

PEDIDO DA PROMOTORIA

Outro ponto enfrentado na decisão foi o pedido do Ministério Público para desmembrar o processo e realizar plenários distintos. O magistrado preferiu deixar essa análise para momento posterior, após decisão que levará os acusados ao júri. Segundo ele, só com o quadro processual definido será possível avaliar de forma objetiva se haverá necessidade de separação dos julgamentos, levando em conta número final de réus pronunciados, testemunhas e complexidade da prova a ser levada a plenário.

EXECUÇÃO

Adenir Batista dos Santos Júnior tinha 40 anos e era empreiteiro. A execução aconteceu a cerca de 50 metros da Delegacia de Polícia, no Parque dos Pinheiros. A vítima estava no local para identificar suspeitos de tentar matá-la em julho daquele ano. As investigações correram sob sigilo.

A polícia requereu a quebra do sigilo de dados telefônicos dos suspeitos. No dia da execução, os assassinos estavam em um Fiat Uno vermelho e quando a vítima estava embarcando no carro, os atiradores desceram do Uno e efetuaram diversos disparos. Adenir foi alvo de 28 disparos e morreu no local.

Momentos depois do crime, a polícia localizou o veículo Uno na mesma região completamente carbonizado. Segundo a Polícia Civil, já havia mandados de prisão expedidos pela Justiça com relação ao homicídio contra os suspeitos.

A polícia trabalhou com uma possível motivação financeira sobre o crime. Adenir atuava como agiota. Além disso, a polícia apurou uma tentativa de homicídio que o empreiteiro sofreu no dia 28 de julho de 2023, em frente a um bar, na Vila Real, em Hortolândia. Ele foi atingido por três disparos. O criminoso se aproximou para efetuar mais disparos, a arma falhou e o suspeito fugiu do local.

A vítima foi atingida pelos disparos na costela, braço e perna e caminhou sozinha até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Nova Hortolândia. Quando Adenir teve alta médica, ele conseguiu imagens do circuito de monitoramento em que mostra o criminoso que corria atrás dele com a arma em punho atirando. Então, ele levou a gravação para a polícia.


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