Caso de leishmaniose leva Hortolândia a testar 103 cães no Santa Clara
Após identificar um cachorro com resultado positivo para a doença, Prefeitura faz coleta de sangue em animais do Jardim Santa Clara do Lago II; amostras serão analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, em Campinas, e investigação visa saber se há possíveis novos casos; tutores devem autorizar entrada de agentes
A identificação de um caso positivo de leishmaniose em um
cachorro colocou as autoridades de saúde de Hortolândia em alerta. A Prefeitura
fez uma operação preventiva para coletar amostras de sangue de 103 cães que
vivem na região do Jardim Santa Clara do Lago II, onde o animal foi
identificado. O trabalho começou na terça-feira (3). A medida busca investigar
a possível presença da doença em outros animais e evitar riscos à saúde
pública, já que a leishmaniose pode atingir cães e seres humanos.
A ação é coordenada pela Unidade de Vigilância de Zoonoses
(UVZ), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. As amostras coletadas nas
residências serão encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em Campinas,
responsável pelas análises laboratoriais.
Segundo o veterinário da UVZ, Evandro Alves Cardoso, o
cachorro que apresentou resultado positivo permanece na residência do tutor e
já recebe os cuidados necessários. A equipe aguarda o resultado do exame de
contraprova para confirmar o diagnóstico.
A Prefeitura também pede a colaboração dos moradores para
que autorizem a entrada dos agentes de saúde nas residências e permitam a
coleta de sangue dos animais. “Reforçamos para que os tutores permitam a
entrada dos agentes em suas casas”, afirmou Cardoso, ao destacar a importância
da ação para proteger os animais.
Na semana passada, profissionais da UVZ já haviam percorrido
imóveis do Jardim Santa Clara do Lago II para identificar e cadastrar os cães
existentes na região. Durante as visitas, os moradores receberam orientações
sobre a doença e materiais informativos com medidas de prevenção.
DOENÇA PODE SER FATAL
A leishmaniose é uma doença infecciosa grave causada por
parasitas do gênero Leishmania. A transmissão ocorre por meio da picada de um
inseto conhecido popularmente como mosquito-palha, que pode transmitir o
parasita entre animais e também aos seres humanos.
De acordo com a UVZ, Hortolândia não registra a presença do inseto transmissor no município. Mesmo assim, o resultado positivo em um cachorro motivou a ampliação da investigação para verificar a possível existência de outros animais infectados. Nos cães, a doença pode provocar emagrecimento progressivo, falta de apetite, fraqueza, feridas na pele, queda de pelos, crescimento anormal das unhas, problemas oculares, vômitos e alterações abdominais. Em situações graves, a infecção pode levar à morte.
Um dos principais desafios para a identificação da leishmaniose é que os animais infectados podem permanecer meses ou até anos sem apresentar sintomas, dificultando a percepção da doença pelos tutores. Em humanos, os sinais mais frequentes da leishmaniose visceral incluem febre prolongada, perda de peso, anemia, aumento do fígado e do baço e, em casos mais graves, sangramentos. A doença exige diagnóstico e tratamento médico.
A transmissão não ocorre pelo simples contato com um cachorro infectado. É necessária a participação do inseto transmissor, o que reforça a importância da vigilância ambiental e do monitoramento dos animais. A orientação é que os moradores mantenham quintais limpos, evitem o acúmulo de matéria orgânica e procurem atendimento veterinário caso percebam alterações na saúde dos cães.
A população pode obter informações e orientações diretamente
com a Unidade de Vigilância de Zoonoses de Hortolândia pelos telefones (19)
3897-3312 e (19) 3897-5974.

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