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Andressa Martins é advogada e Vice-presidente da Comissão de Seguridade Social pela OAB Sumaré

Coluna Tribuna Legal

Senado analisa projeto que evita perda imediata do BPC para quem consegue emprego

Uma proposta em tramitação no Senado Federal pode trazer mudanças importantes para os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O Projeto de Lei nº 1.812/2026 pretende flexibilizar as regras de cálculo da renda familiar, permitindo que pessoas em situação de vulnerabilidade não percam automaticamente o benefício ao ingressarem no mercado de trabalho.

A iniciativa busca adequar a legislação à realidade de famílias que, mesmo após obterem uma fonte de renda formal, continuam enfrentando dificuldades econômicas.

PROJETO CRIA REGRA DE TRANSIÇÃO PARA QUEM COMEÇA A TRABALHAR

Entre os principais pontos da proposta está a criação de um mecanismo de proteção para beneficiários que conquistarem um emprego formal.

Pelo texto, parte da remuneração obtida pelo próprio beneficiário poderá ser desconsiderada no cálculo da renda familiar. A previsão é que até um salário-mínimo proveniente do novo vínculo de trabalho não seja contabilizado para fins de manutenção do benefício.

A medida busca evitar que a simples formalização profissional resulte no cancelamento imediato do BPC, situação que frequentemente gera insegurança para famílias de baixa renda.

BENEFÍCIO PODERÁ SER MANTIDO POR ATÉ UM ANO

Outra novidade prevista no projeto é a possibilidade de manutenção do benefício durante um período de transição.

Caso o beneficiário passe a exercer atividade remunerada, o BPC poderá continuar sendo pago por até 12 meses. Encerrado esse prazo, será realizada uma nova avaliação socioeconômica para verificar se permanecem presentes os requisitos de vulnerabilidade social exigidos pela legislação.

A intenção é estimular a inclusão produtiva sem penalizar quem busca inserção no mercado de trabalho.

RENDA FAMILIAR PODERÁ SER ANALISADA DE FORMA MAIS AMPLA

O projeto também propõe mudanças na forma como a renda familiar é avaliada.

Em situações de oscilação financeira, o cálculo poderá considerar a média dos rendimentos recebidos ao longo dos últimos 12 meses, em vez de levar em conta apenas a renda de um determinado momento.

Segundo os defensores da proposta, a medida permitirá uma análise mais fiel da realidade econômica das famílias, reduzindo distorções causadas por ganhos eventuais ou temporários.

DESPESAS ESSENCIAIS PODERÃO SER ABATIDAS

Outro aspecto relevante do texto é a possibilidade de descontar determinados gastos indispensáveis da renda familiar.

Entre as despesas que poderão ser consideradas estão:

• tratamentos médicos;

• terapias especializadas;

• medicamentos de uso contínuo;

• alimentação especial;

• equipamentos e tecnologias assistivas;

• outros gastos essenciais não fornecidos pelo sistema público.

A previsão beneficia especialmente famílias que convivem com pessoas com deficiência ou doenças que demandam despesas permanentes.

PROPOSTA BUSCA EVITAR CANCELAMENTOS AUTOMÁTICOS

O projeto estabelece que alterações pontuais na renda não deverão resultar, por si só, na suspensão imediata do benefício.

A análise deverá observar princípios como a dignidade da pessoa humana, a proteção social e a promoção da inclusão econômica, exigindo uma avaliação mais ampla das condições efetivas da família antes de qualquer decisão sobre a continuidade do BPC.

AUTORA DEFENDE MAIOR SEGURANÇA PARA AS FAMÍLIAS

A proposta é de autoria da senadora Roberta Acioly, que argumenta que muitas famílias continuam em situação de vulnerabilidade mesmo após pequenas melhorias na renda.

Segundo a parlamentar, o modelo atual pode acabar desestimulando a busca por emprego formal, já que muitos beneficiários temem perder imediatamente a assistência social ao conseguirem uma oportunidade de trabalho.

 O QUE PODE MUDAR SE O PROJETO FOR APROVADO?

Caso avance no Congresso Nacional e seja transformado em lei, o projeto poderá trazer reflexos importantes para os beneficiários do BPC, entre eles:

• redução das suspensões automáticas do benefício;

• maior incentivo à formalização do trabalho;

• análise mais detalhada da situação econômica familiar;

• consideração de despesas indispensáveis no cálculo da renda;

• fortalecimento da política de inclusão social e produtiva.

PROJETO AINDA ESTÁ EM TRAMITAÇÃO

Apesar da repercussão da proposta, nenhuma alteração entrou em vigor até o momento.

O PL 1.812/2026 ainda será analisado pelas comissões do Senado antes de seguir para as próximas etapas do processo legislativo. Portanto, as regras atualmente aplicadas ao BPC permanecem inalteradas.

 QUEM RECEBE BPC PERDE AUTOMATICAMENTE O BENEFÍCIO AO CONSEGUIR EMPREGO?

Pelas regras atuais, a renda obtida com atividade remunerada pode impactar a manutenção do benefício. Entretanto, o projeto em análise pretende criar mecanismos para evitar a suspensão automática nesses casos.

TODO O SALÁRIO SERÁ DESCONSIDERADO NO CÁLCULO DA RENDA?

Não. A proposta prevê a exclusão de até um salário-mínimo proveniente do novo vínculo de trabalho do beneficiário.

COMO SERÁ FEITA A ANÁLISE DA RENDA FAMILIAR?

Em situações específicas, poderá ser considerada a média dos rendimentos dos últimos 12 meses, permitindo uma avaliação mais abrangente da condição financeira da família.

GASTOS COM SAÚDE PODERÃO INFLUENCIAR NO CÁLCULO?

Sim. O texto prevê a possibilidade de descontar despesas essenciais, como medicamentos, tratamentos, terapias e outros custos indispensáveis que não sejam fornecidos pela rede pública.

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Andressa Martins é proprietária e fundadora do escritório Andressa Martins Advocacia, em Sumaré/SP. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica - PUC de Campinas, desde 2006, atua como advogada há mais de 17 anos. Atualmente é Vice-presidente da Comissão de Seguridade Social pela OAB Sumaré.

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