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Andressa Martins é advogada e Vice-presidente da Comissão de Seguridade Social pela OAB Sumaré

Coluna Tribuna Legal

Cuida de um familiar e parou de trabalhar?

Entenda os impactos na aposentadoria

Deixar o trabalho para cuidar de um familiar é uma realidade para muitas pessoas, especialmente quando há uma pessoa com deficiência, doença ou necessidade de acompanhamento constante. Apesar da importância desse cuidado, a interrupção da atividade profissional pode trazer consequências previdenciárias.

O trabalho de cuidado não remunerado, por si só, não gera filiação obrigatória ao INSS. Assim, quando a pessoa deixa de trabalhar, continua protegida por determinado período graças ao chamado período de graça, mas posteriormente pode perder a qualidade de segurado caso não volte a contribuir.

PROTEÇÃO PREVIDENCIÁRIA

Uma das alternativas é contribuir como segurado facultativo. Existem diferentes modalidades, com alíquotas de 20%, 11% e 5%, esta última destinada ao segurado facultativo de baixa renda que cumpra os requisitos legais, inclusive inscrição e regularidade no CadÚnico.

É importante escolher a modalidade adequada, pois cada uma possui regras e limitações diferentes. Além disso, o segurado facultativo possui, em regra, seis meses de período de graça, e não os 12 meses aplicáveis a determinadas situações de quem exercia atividade remunerada.

A FALTA DE CONTRIBUIÇÕES PODE AFETAR A APOSENTADORIA?

Sim. Os períodos sem contribuição não são contabilizados automaticamente como tempo de contribuição e podem atrasar a aposentadoria.

Além disso, o histórico de contribuições pode influenciar o cálculo do benefício, tanto em relação à média dos salários quanto ao percentual aplicado sobre ela.

Por isso, simplesmente deixar de contribuir por alguns anos pode gerar impactos que só serão percebidos no momento da aposentadoria.

EXISTEM ALTERNATIVAS ANTES DE SAIR DO EMPREGO?

Antes de pedir demissão, é importante verificar se existe alguma possibilidade de redução de jornada, trabalho remoto, licença ou outra forma de manter o vínculo profissional. Para servidores públicos, existem regras específicas para situações envolvendo dependentes com deficiência e familiares doentes, que podem permitir horário especial ou determinadas licenças, conforme o regime jurídico aplicável.

PLANEJAMENTO PODE EVITAR PREJUÍZOS

Quem precisa deixar ou reduzir o trabalho para cuidar de um familiar deve analisar previamente seu histórico no CNIS, o período de graça, as possibilidades de contribuição facultativa e os efeitos sobre a futura aposentadoria e outros benefícios previdenciários.

Cada situação deve ser analisada individualmente. Antes de interromper as contribuições, fazer um planejamento previdenciário pode evitar a perda de proteção e problemas no futuro.

Você gostou deste conteúdo? Para mais informações, continue acompanhando nossa coluna semanal. Tenha um excelente domingo!

Andressa Martins é proprietária e fundadora do escritório Andressa Martins Advocacia, em Sumaré/SP. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica - PUC de Campinas, desde 2006, atua como advogada há mais de 17 anos. Atualmente é Vice-presidente da Comissão de Seguridade Social pela OAB Sumaré.

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